sexta-feira, 27 de março de 2009

Como uma onda

Olá, Celio

abaixo vc tem o depoimento que tinha pedido há algum tempo.

Um abraço e bom fim de semana,

Mara (nome fictício)

Chamo o tratamento que fiz com o Célio de terapia. Já havia feito outras formas de terapia antes e acho que elas me prepararam para poder aproveitar a energia que foi liberada pelas sessões de massagem (Entenda-se: Terapias Orientais).
Procurava sair do uso de remédios para uma depressão que vinha progredindo há alguns anos e uma amiga me apresentou o Célio. Diferente do que fiz em tratamentos anteriores, resolvi que não iria procurar conhecer as técnicas que ele utilizaria e tentaria respeitar as mudanças que fosse sentindo sem racionalizar tudo verbalmente.
Lembrando de como foram os dois primeiros meses, tenho a imagem de alguém entrando no mar e tendo que passar a rebentação. O toque das massagens (...) parece ir direto às emoções nos espaços que elas ocupam em meu corpo. A caminhada até a rebentação foi rápida e intensa. Senti uma tristeza muito grande. Fisicamente, emagreci bastante. Estava com sobrepeso e uma compulsão por comer vinha se tornando mais forte.

A compulsão desapareceu. Segui algumas indicações de alimentação que o Célio passou para a fase das primeiras sessões de massagem (...), mas não me propus a fazer nenhuma dieta. Tristeza e fome não combinam.

Traumas temos todos. O que fazemos com eles pode variar. O meu nem cheguei a gravar na memória. Se gravei, tratei de esquecer o mais rápido possível – dos 6 para os 7 anos de idade me transformei de uma menina alegre, que assobiava pendurada em uma árvore na chácara dos avós, em uma criança triste e introvertida. Foi o jeito que achei de ir sobrevivendo enquanto não conseguia reagir.

Cheguei perto daquele período da minha infância quando fiz psicoterapia aos 18 anos, mas lembrar pode assustar muito e achei uma desculpa na época para interromper o tratamento. Cerca de 25 anos depois, as massagens romperam a barreira, a quebração.

Ao contrário do que dizemos às vezes, comer e comer não são as melhores coisas do mundo. Para mim, hoje, a melhor coisa é respirar - sem precisar comer qualquer coisa a qualquer hora, me ocupar a todo instante com qualquer atividade. Sem ansiedade. Esse foi o melhor efeito das massagens (...). Trouxe as lembranças de volta, deu apoio para que eu percebesse que poderia encará-las e a sensação de impotência que me acompanhava há tanto tempo foi se desfazendo.

Ainda hoje, quase dois anos após o início do tratamento, me surpreendo com o ar entrando tão facilmente, com as mudanças no meu corpo – agora sem o inchaço na região do estômago, sem o refluxo gástrico à noite. Ainda estranho muito não entrar em desespero quando preciso lidar com pressões ou situações mais difíceis. Era minha reação mais comum principalmente na minha vida profissional.

À medida que aprendi a lidar com as lembranças, as massagens (...) tornaram-se mais espaçadas. Como o Célio havia dito, o movimento era cíclico – algumas emoções voltavam, mas menos fortes, menos assustadoras ou perturbadoras. Voltam ainda, mas é minha história e não mais ameaça, sempre presentes em pesadelos, nem o desespero de não conseguir reagir.

O tratamento com as massagens (...) foi fundamental para mim. Não acredito em caminhos e soluções iguais para todos, mas acho que um tratamento corporal pode ir mais diretamente aos bloqueios que a racionalidade só ajuda a manter intatos.

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